A produção de energia para consumo local, com utilização de máquinas de vapor e turbinas hidráulicas, tem uma longa tradição.
Em Portugal, as máquinas de vapor tiveram as primeiras aplicações em meados do século XIX e as turbinas hidráulicas pelos fins do século, como motores centrais em utilizações simplesmente mecânicas ou accionando geradores eléctricos que asseguravam a iluminação, em corrente contínua, no local ou proximidades.
Houve uma pulverização de pequenos produtores com centrais termoeléctricas e hidroeléctricas, não só industriais mas também de serviço público.
Em meados do século XX, com o desenvolvimento dos grandes projectos hidroeléctricos e o transporte de electricidade e a electrificação do País, assistiu-se à substituição da energia mecânica pela eléctrica, com a instalação de motores trifásicos accionando directamente as máquinas.
As instalações de produção de energia para consumo local, e principalmente as de serviço público, entraram numa fase decrescente restando, ainda hoje, algumas unidades em operação.

Os sistemas de produção combinada de calor e de electricidade, cogeração propriamente dita, baseados em caldeiras e máquinas de vapor, começaram a ser instalados, a partir dos anos 30 do século passado, em unidades industriais (açúcar, refinação de petróleo, papel, têxtil, ...) .
As máquinas de vapor viriam a ser substituídas, mais tarde, por turbinas de contrapressão que accionavam alternadores e que, em alguns casos, operavam em paralelo com as redes públicas. Só em 1982, com o objectivo de incentivar a autoprodução de energia eléctrica foi regulada a qualidade de produtor independente, com a possibilidade de estabelecer o paralelo com a Rede Eléctrica Nacional e definidas condições para valorização de excedentes de energia eléctrica entregues a esta.
As principais unidades fabris dos diferentes sectores industriais, com consumos significativos de vapor/calor e em que os projectos demonstravam viabilidade técnica e económica, foram-se equipando, até 1990, com sistemas de cogeração, desde a celulose e química, passando pelo têxtil, papel, açúcar, cerveja até aos derivados de madeira. Os incentivos financeiros para a utilização racional de energia foram instrumentos essenciais para a promoção da tecnologia e implementação destes últimos projectos, na generalidade de pequena/média potência.
Estes desenvolvimentos permitiram que Portugal atingisse uma potência instalada, em contrapressão, de 530 MW, distribuídos pelos sectores industriais identificados na figura seguinte:

Algumas destas centrais estão, agora, a passar por operações de actualização tecnológica e melhoria de eficiência, aumentando a potência das unidades, mediante a instalação de sistemas baseados em ciclos combinados com turbinas de gás.
O quadro regulamentar, revisto em 1989, criou um regime especial para a produção de energia eléctrica com recursos renováveis e por cogeração que visava agilizar e dar transparência aos processos por forma a motivar os agentes económicos. Revisões posteriores da legislação, em 1996, 1999 e 2000/2001 vieram impor critérios de eficiência aos projectos de cogeração o que valorizou e consagrou esta forma alternativa de produção de energia.
A actividade da Cogeração, em Portugal, passou a ter um enquadramento legal adequado, com uma estrutura transparente de remuneração e que reconhece inequivocamente os benefícios energéticos e ambientais a toda a produção em cogeração.
Face a um enquadramento favorável, aos elevados custos da electricidade que, então, se verificavam e à inexistência de alternativas de abastecimento, o que preocupava seriamente as empresas e, de um modo especial, as que competiam em países com custos energéticos mais baixos, levou a que, a partir de 1990, tivessem sido instaladas em Portugal 64 novas centrais de cogeração com motores Diesel, consumindo fuelóleo e totalizando uma potência adicional de aproximadamente 350 MW. Esta potência está instalada nos seguintes sectores industriais:

Em 1997, com a introdução do gás natural - combustível fóssil ideal para a produção de energia - foram criadas oportunidades para novas cogerações.
Desde aí, foram desenvolvidos diversos projectos, utilizando a tecnologia de motores Otto e das Turbinas de Gás, atingindo uma potência instalada, no fim de 2005, de cerca de 322 MW, de acordo com o que se apresenta no quadro seguinte: