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Data
19 maio 2016
Local
Porto

ENQUADRAMENTO
A utilização de água em processos industriais, seja de forma direta, como matéria-prima ou auxiliar no processo, ou de forma indireta, como fluido para transporte de calor ou pressão, é quase universal. No entanto, e se no passado existiam menores preocupações com a qualidade desta derivada a menores exigências por parte do equipamento que com ela entrava em contacto, bem como do seu impacto no meio circundante, tal não é verdade na atualidade.

Estas preocupações são especialmente aplicáveis à produção de energia elétrica com aproveitamento de calor, uma vez que a água intervém não só no processo de produção (seja sob a forma de vapor ou como líquido de refrigeração), como nos processos de recuperação de calor. O uso de água com características físico-químicas incorretas acarreta por norma graves prejuízos resultantes de fenómenos de corrosão e/ou incrustação em equipamentos já de si sensíveis e precisos.

A este problema soma-se uma deficiente sensibilização para os problemas decorrentes do uso de água em circuitos por norma fechados ou semiabertos, com temperaturas acima da ambiente, e que propícia o aparecimento e crescimento de fenómenos de contaminação microbiológica, que para além de poderem afetar a eficiência dos processos, podem igualmente representar um risco para os operadores dos equipamentos bem como para as populações envolventes, como tem sido infelizmente notícia devido ao aparecimento de Legionella em torres de arrefecimento.

OBJETIVOS
- Sensibilizar para os problemas mais comuns resultantes do uso de água em processos industriais, com especial enfoque na produção de energia, tanto em termos físico-químicos, como microbiológicos;
- Apresentar conceitos sobre métodos analíticos de água, nomeadamente sobre as suas limitações e correta interpretação dos resultados;
- Dotar de capacidade para avaliar processos de tratamento de água e a sua adequabilidade ao fim que é pretendido para a água tratada;
- Relacionar a qualidade da água e o processo de tratamento com a resolução de problemas comuns na produção/dissipação de calor (corrosão, incrustação, contaminação microbiológica).

PROGRAMA
I. Tratamento Físico-Químico da Água
•    Caraterísticas Gerais da Água
•    Requisitos comuns de qualidade de água para fins industriais:
-    Para uso potável
-    Para produção de vapor / água quente
-    Para circuitos de arrefecimento
•    Qualidade de vapor
•    Sistemas de tratamento de água:
-    Floculação-Decantação
-    Filtração (Areia, Carvão, Micro-/Ultrafiltração)
-    Remoção de Contaminantes (Ferro, Manganês, Arsénio, Nitratos, …)
-    Remoção de Dureza / Alcalinidade (Descalcificação / Descarbonatação)
-    Remoção de Sais (Osmose Inversa / Desmineralização / Desionização)
-    Desgaseificação
•    Condicionamento físico-químico da água:
-    Proteção de geradores de vapor / água quente (anti-incrustantes, desoxigenantes, dispersantes, controlo de salinidade / purgas)
-    Proteção de circuitos de arrefecimento (antiencrustantes, anticorrosivos, índices de incrustação/corrosão – Langelier, Ryznar)
•    Controlo analítico da qualidade de água:
-    Métodos de ensaio quantitativos e qualitativos
-    Testes rápidos (no local) e métodos instrumentais (em laboratório)
-    Formato de apresentação de resultados e os limites de quantificação dos métodos
-    Escolha dos métodos para a legislação a cumprir
-    Interferentes e outros problemas analíticos comuns

II. Tratamento Microbiológico da Água
•    Principais micro-organismos presentes na água
-    Inofensivos
-    Patogénicos
•    Deteção e quantificação dos micro-organismos
•    Contaminação de água
-    Origem
-    Formação de biofilmes
-    Desinfeção
-    Ações Preventivas e de manutenção
•    Legionella em águas de arrefecimento: um caso particular
•    Equipamento e químicos para tratamento microbiológico da água:
-    Métodos Físicos (Ultravioletas, Calor)
-    Métodos Químicos (desinfetantes halogenados/não-halogenados, ozono)

PÚBLICO-ALVO
- Responsáveis por instalações de cogeração com produção da vapor/água quente e/ou circuitos de arrefecimento;
- Responsáveis pelo tratamento de águas com fins industriais.

FORMADOR
Carlos Filipe Duarte
Licenciado (2002) e doutorado (2006) em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), foi cientista convidado Marie Curie na Faculdade de Engenharia Química e Biológica da Universidade de Dortmund (Fakultät Bio- und Chemieingenieurwesen, Technische Universität Dortmund), em 2004 e 2005.
Trabalhou desde o final do seu percurso académico em tratamento de águas, tendo ingressado na empresa F. Duarte, Lda, empresa fundada em 1981, como Engenheiro Sénior e onde permaneceu até 2009. Nesse âmbito efetuou inúmeros projetos de tratamento de água, incluindo sistemas de tratamento de larga escala, de onde se destaca um sistema de descalcificação industrial para 150 m3/h.
De 2009 a 2011 trabalhou como Engenheiro Sénior na empresa Modern Water plc (Guildford, Reino Unido) onde foi responsável técnico pelo desenvolvimento e ensaio de campo de sistemas avançados de tratamento e análise de água, tendo submetido (em parceria) 2 patentes referentes a sistemas de eletrocoagulação.
Regressou à F. Duarte em 2012, onde é atualmente gerente e continua a desenvolver a sua atividade no tratamento de águas, sendo que a empresa conta atualmente com mais de 250 clientes industriais em regime de avença.

Isabel Silva
Licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) em 1995 e detentora de uma pós-graduação em Biomedicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) em 1997, desenvolveu a sua carreira profissional na área das análises químicas e microbiológicas, especialmente no sector das águas.
Foi bolseira do PRODEP no ano do estágio curricular e bolseira de Investigação Científica do Praxis XXI, sempre no Departamento de Fisiologia Aplicada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, de 1995 a 1997.
Foi técnica superior do Departamento de Higiene Pública do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV) de 1998 a 2003, tendo de seguida, e de 2003 a 2006, exercido o cargo de responsável pelos Departamentos de Química Instrumental e Geral na empresa Sagilab.
Desde Julho de 2006 que é sócia-gerente e responsável técnica na MicroChem, laboratório de análises de águas acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC).
A sua formação contínua permitiu-lhe especializar-se em métodos instrumentais de análise e estatística associada.

HORÁRIO
09h00 – 17h30

 


No dia 19 de Maio a COGEN Portugal organizou uma ação de formação sobe a temática de "Sistemas de Tratamento de Águas".
Na sessão estiveram presentes 8 formandos, que avaliaram a formação com uma média de 3.7 numa escala de 1 a 4.